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Art, both mine and others', music, playlists, video games and animals.

It’s speak your language day!

I never share my writing on this blog, but in honor of my language, here’s a little something I wrote last year, a little flicker of inspiration that struck while reading a book by António Lobo Antunes, one of my favorite Portuguese writers and a definite literary inspiration. 

Garça - 12/10/2013, 05:28

Que desígnios de morte assinalada assolam o ser humano. Não quero ser pessoa, não que a morte me assombre, mas que não me vejo a sê-lo. Vejo-me prensada, vejo-me em celulose. Não quero ser pessoa, que não me vejo pulsando, ciclando ares e fleumas e outros fluidos que tais. Não me vejo feita para crescer para mirrar, vejo-me entre dedos que me vincam, vejo-me amada por pontas de metal que em mim rebolam, tentando que fertilizemos, tentando que entre nós um embrião de eternidade brote. Vivo vendo-me assim, no evitar de espelhos e de conversas que me contrariem a visão, auxiliada, mas eu, que papel, não pessoa, não preciso desses oculos para nada. Pousados na cabeceira, fazem-lhe mais falta, compondo a cena, ampliando a composição, bendita sejas, benzida diazepina, que tornas o copo de água na cabeceira baptismal até para esta pessoa, que não o sendo, não o é também perante as burocracias divinas. 
Nos olhos da minha mãe vejo-lhe o medo, ela que sempre odiou guarda-chuvas, o receio de uma corrida furtiva à chuva, que ela vê pelos meus olhos o que não quer ver, e vê-me ao meu próprio espelho.
- Leva um casaco, vai mais tarde, espera que eu levo-te,
ela a odiar guarda-chuvas e a querer guardar-me da chuva, que no meu não ser pessoa se torna num prenúncio de desastre por mera diluição. Não sabia ela o quanto já me diluíra, presentes nela ainda as cores que as minhas páginas já não tinham forma de recordar. E com cada página que ia deixando para trás, vincada em forma de vida por engenho oriental, privada de vida pela corrente que foi seu berço, vou deixando de existir em mim para deixar o mundo abraçar as folhas soltas em que soube ser, sendo o  único ser que alguma vez soube.

O resto da minha escrita anda pelo Coursing in Cursive

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hermionejg:

Los seres humanos no nacen para siempre el día en que sus madres los alumbran, sino que la vida los obliga a parirse a sí mismos una y otra vez.
- Gabriel García Márquez (March 6, 1927-April 17th, 2014)[human beings are not born once and for all on the day their mothers give birth to them, but that life obliges them over and over again to give birth to themselves]

Hasta siempre, Gabo. Gracias por todo.

hermionejg:

Los seres humanos no nacen para siempre el día en que sus madres los alumbran, sino que la vida los obliga a parirse a sí mismos una y otra vez.

- Gabriel García Márquez (March 6, 1927-April 17th, 2014)

[human beings are not born once and for all on the day their mothers give birth to them, but that life obliges them over and over again to give birth to themselves]

Hasta siempre, Gabo. Gracias por todo.